O show do Franz Ferdinand no Rio foi fuderoso. Dizem que já entrou para a história como o setlist mais longo da banda, com 1h58m de piração frenética. Se isso é fato ou fake eu não sei, mas tenho certeza que o que houve na noite do último dia 19 não foi apenas mais um show. Foi pura catarse coletiva.
O calor estava insuportável já do lado de fora da Fundição Progresso, local onde seria o show. Quando o Dudu e eu chegamos, o movimento para a troca de ingressos ainda estava tranqüilo. Peguei meu ingresso e resolvemos entrar de uma vez. Era maciça a presença da “juventude BuddyPoke”, mas nada que intimidasse (afinal, como um bando de moleques de franja e All Star pode intimidar alguém?).
Moptop, a banda de abertura, apresentou suas quatro ou cinco músicas sem causar muito alarde. Tenho que dizer que Alive, do Pearl Jam causou muito mais comoção, quando tocou no intervalo entre as bandas. Uma curiosidade inútil é que, nessa primeira localização que ficamos, do lado esquerdo e bem próximos ao palco (pelo menos tão próximo quanto as pessoas amontoadas na grade permitiam), havia um grupo de metaleiros, que apelidamos de “a caravana de fãs do Metallica”.
Logo o Franz subiu ao palco, mandando Bite Hard. A partir desse momento, não houve nenhum instante de sossego naquela pista. Em seguida tocaram Matinee, This Boy e Do You Want To. Ao fim de cada música eu achava que não sobreviveria, mas voltava a pular assim que o próximo hit começava. Nos primeiros vinte minutos de show foi impossível parar até mesmo para comprar uma cerveja, apesar do calor infernal que fazia.
Depois do primeiro combo, trocamos de lugar, ficando mais de frente para o palco, numa área abençoada onde, de vez em quando, batia uma lufada de ar fresco. Quando eles tocaram 40’, eu tive a certeza de nunca ter ouvido algo tão literal na vida. Por fim, já não se tratava de calor, era pura eletricidade que agitava as moléculas. Uma energia monstruosa ligava o público à banda, fazendo ambos vibrarem na mesma sintonia.
Puxamos o Happy Birthday para o Alex, que fazia aniversário naquela madrugada, e então veio o que considero o primeiro dos pontos mais altos do show (esses, é claro, são os mais altos entre os mais altos): Ulysses. Caralho, foi uma coisa linda! Todo mundo cantando C’mon let’s get high, o clipe rolando ao fundo, aquela loucura toda… e eis que começa a próxima música…
Nada mais nada menos que Outsiders, que Dudu e eu havíamos eleito como música tema da viagem e porque não, da vida, e que envolvia até mesmo uma aposta e o Iggy Pop! Talvez esse tenha sido o ápice de todo o show, com a banda toda batucando freneticamente por quase dez minutos e o público acompanhando nas palmas. Foi o fim.
Voltaram pro bis tocando Walk Away, e eu pensei: Filhos da puta! Vão tocar Walk Away e vão embora! Oh, que feliz engano! Continuaram tocando mais e mais! A cada música eu fazia questão de aproveitar o máximo, achando que seria a derradeira. Depois mais de uma hora e meia, o Franz ainda conseguiu botar a Fundição inteira pra pular ao som de This Fire, emendando Lucid Dreams e mais de quinze minutos de alucinação nos sintetizadores.
Quando por fim a banda apareceu tomando champanhe, o Alex e o Nick fizeram um mosha na galera e acenderam-se as luzes, eu estava esgotado, de alma lavada e com todos os fantasmas expurgados. A única coisa que eu conseguia repetir era: Vou em casa tomar um banho, uma cerveja, fumar um cigarro e já podemos começar de novo, por favor?
Obs1: Os vídeos foram gravados pelo Dudu.
Obs2: Se for ficar na rodoviária do Rio por um tempo, o café da Nescafé é ruim mas o Pilão do Lindo Rio é massa!

Apesar dos pesares (cidade imunda, fétida, quente e mal educada) o show foi qualquer coisa awesome. E a companhia só me fez ver que acertei na escolha. Outsiders. Não se encontra um igual todo os dias!
Lindo, amore.
Inveja mil. Mas só queria ir no Franz se fosse com você.
E só um detalhe: tinha que ser você mesmo para dar um serviço de café no final de um post de show! hahaha!
Te amo.